Ainda nem dá pra acreditar que tem uma pessoa dentro de mim; uma pessoa que vai ter vontades, opiniões e as vezes, creio eu, que vai até me odiar.
É mesmo uma coisa muito louca gerar uma vida, criar alguém, que em seus primeiros anos de vida, será tão dependente de mim, que se imaginará como minha extensão. Uma nova alma, um emaranhado de novos sentimento e sensações.
Não me acho preparada para ser mãe, nem nunca me preparei para isso... Nunca pretendi avançar ao terreno da maternidade. Fernando veio assim, como um acidente de percurso devastador. Acabou com minhas saídas, minhas cervejas,meu cigarros e me deixou incapacitada por uns tempos para a faculdade. Eu que sempre fui boêmia, me sentia destruída.Culpa minha, e só minha.
Mas o que parecia um total desastre nas primeiras semanas, aos poucos foi me fazendo entender e ver, que as coisas só tem um significado, quando a gente as significa. Resolvi colocar Fernando como meu amor, pois como os filhos costumam dizer, ele é mais um que não pediu para nascer; e alguém que nasce em tamanha inocência, jamais poderia pagar por coisas que eu, em minhas doidices adolescentes, havia feito por ai. Não que eu o ame por obrigação, é coisa que vai acontecendo. Deve ser o processo de se tornar aquela mulher, que meu bebê vai amar tanto.
Fernando me chuta o dia inteiro, o meu pequeno milagre. Confesso que no início, eu o odiei muito, quis morrer, e quis que ele morresse também. E muitos dias me pego chorando por ter me sentindo assim.Estou tentando me perdoar, e espero que Fernando também me perdoe, se um dia chegar a ler isso.
Nem sei explicar como é ver a marca de seu corpinho, delineado na minha barriga. E me sinto horrível em pensar que, ele poderia não mais estar aqui. Não sou contra o aborto, muito pelo contrário... Sempre achei que toda mulher é dona de seu próprio corpo. Mas eu não consegui. É preciso coragem pra seguir com um aborto, e agora vejo que mais ainda, para seguir como mãe.
Me adaptando ao processo de descontrução de mim, de me tornar plural. Eu que sempre fui uma, agora sou dois. Dois corações, que batem dentro do mesmo corpo, e que dependem um do outro pra viver em paz.
Amor!
Daniê.
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